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Nota de Falecimento: Ricardo Kanji
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O Conservatório de Tatuí – instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, gerida pela Sustenidos Organização Social de Cultura – comunica, com grande pesar, o falecimento do flautista, professor e regente Ricardo Kanji, ocorrido na manhã da segunda-feira, 24/02.
Nascido em São Paulo, em 1948, Ricardo Kanji iniciou aos 7 anos os estudos de piano. Pouco depois, foi apresentado à flauta doce durante as aulas com Lavinia Viotti. Kanji encantou-se imediatamente pelo instrumento, descobrindo uma habilidade natural que o fez abandonar os estudos de piano para se dedicar ao aprendizado de flauta. Mais tarde, aos 15 anos, começou a estudar flauta transversal e, apenas dois anos depois, ingressou em importantes grupos artísticos, como a Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo e a extinta Orquestra Filarmônica de São Paulo.
Em 1966, Ricardo Kanji se muda para os Estados Unidos e Canadá, onde ele conheceu Frans Brüggen – flautista e especialista em música antiga. No mesmo ano, o músico fundou o grupo Musikantiga, realizando diversas gravações e concertos no país todo. Ricardo Kanji então decide abandonar os estudos nos EUA e segue para a Holanda, ingressando no Conservatório Real de Haia. Lá, aprofunda seus conhecimentos em música barroca e recebe seu diploma como solista, além de vencer o 1° Concurso Internacional de Flauta Doce de Bruges. Um dos pioneiros mundiais na música barroca, foi sucessor de seu mestre Frans Brüggen no Conservatório Real de Haia e membro fundador da Orquestra do Século XVIII. Atuou como professor de flauta doce e traverso barroco do Conservatório Real de Haia entre os anos de 1973 e 1995. Após esse período, retorna ao Brasil para seguir sua carreira como concertista, regente, professor e construtor de flautas.
Criou o coro e orquestra Vox Brasiliensis, conjunto com o qual se dedicou, como diretor artístico, ao projeto História da Música Brasileira. Por este trabalho, a APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) o premiou como melhor regente. Teve extensa produção fonográfica como músico e regente, recebendo inclusive uma indicação ao Grammy Latino de melhor álbum clássico em 2009.
As histórias de Ricardo Kanji e do Conservatório de Tatuí se cruzaram em diferentes momentos. Sua primeira passagem pela instituição foi em 2009, no I Encontro de Performance Histórica – evento no qual também foi homenageado. Na ocasião, Kanji ministrou aulas, foi regente da Orquestra do Encontro e se apresentou em um dos recitais com professores.
Entre os anos de 2010 e 2011, Ricardo Kanji esteve presente mensalmente no Conservatório de Tatuí ministrando master classes para estudantes e se dedicava também a dar aulas voltadas para o corpo docente da instituição.
Ricardo Kanji foi sinônimo de pioneirismo, conhecimento e inspiração. Seu legado na música clássica e barroca será para sempre lembrado no Brasil e no exterior.
O Conservatório de Tatuí e a Sustenidos lamentam a perda do grande flautista, maestro e professor Ricardo Kanji. À família e a todos os amigos(as), nossos sentimentos.